Yolanda Dominguez é uma artista espanhola que levanta a bandeira de que arte é sinônimo de provocação.
Na sua última interferência, ela espalhou cartazes laranjas pelas ruas de Madrid, onde se lia "Moça jovem e de boa presença se oferece para". Então vinha uma lista de afazeres domésticos de uma esposa, como ficar grávida, cuidar das crianças, ser elegante e educada em eventos sociais e fingir que não vê as puladas de cerca do marido.
Daí vem a polêmica. Em troca de tudo isso, ela pede:
- 1 par de bolsas Loewe por ano
- 3 sapatos Prada
- 1 vestido Chanel
- 1 casaco de pele
- 1 clutch de Dior
- 1 anel Cartier
- 1 Mercedes SLK...




Uma das funções da arte é chocar, de uma maneira criativa e inteligente, concordam? Ninguém melhor do que ela para fazer isso. Então, ainda que esses cartazes não sejam um exemplo de design e beleza (coisa que nunca tentou ser), vai dizer que você não pararia para ler? E que depois iria pra casa, pro trabalho ou pro supermercado, pensando nisso. Poderíamos chamar essas relações de "prostituição camuflada"? Ainda existe esse tipo de casamento baseado no dinheiro? E daqui pra frente, quem vai ganhar a chave de braço: a sociedade informatizada e superinformada ou a sociedade da beleza supervalorizada?
Essa nova filosofia artística, chamada "living", segundo a própria Yolanda, "está camuflada na vida real, e se integra com a linguagem e os costumes populares". Ou seja, o espectador não sabe se está diante de algo real ou fictício. É a liberdade extrema do artista e, por que não, do público também.
Yolanda recebeu dezenas de emails de mulheres que se identificaram com o cartaz e, claro, algumas propostas masculinas interessadas no "acordo".
P.S. Na Espanha é comum encontrar esse tipo de cartaz espalhado pela rua, de moças se oferecendo para cuidar de idosos ou crianças, limpar a casa, etc. Um reflexo da mudança de postura que a imigração está provocando nesse país. Há alguns anos, ter uma empregada doméstica era coisa impensável por aqui (principalmente pelo alto custo). Hoje em dia, quase todos os jovens que moram sozinhos têm uma colombiana, venezuelana, brasileira ou rumana que faz faxina de 2-3 vezes na semana.













