Saca sustentabilidade? Reciclagem? Ecologicamente correto? Todos esses termos, partes da chamada green mind (algo como "ideologia do verde"), estão formando uma inovadora e surpreendente parceria com a arte. E com o lixo.
Na verdade, todo mundo já viu algo parecido. Umas tampinhas que viraram bolsa, uma garrafa pet que virou brinquedo. Mas bastou uns caras darem nome à coisa e pronto: vira um fenômeno e o mundo inteiro quer ter. Estamos falando do Upcycle, um termo alcunhado por William McDonaugh e Michael Braungart no livro Cradle to Cradle (Do Berço ao berço), e que está na crista da onda.


Os canadenses Shaun Moore and Julie Nicholson também reaproveitam milk crate.
O Canadá é um dos grandes exportadores desses "artistas do lixo".Outro exemplo é o Molo Design, que criou uma série de móveis utilizando cartão reciclado...




Diretamente do Rio de Janeiro, garrafas pet, tampa de latinhas epalitos de dente viram jóias nas mãos de Mana Bernardes.
A teoria é simples: materiais que já estavam fadados às bolsas plásticas pretas se transformam em objetos bonitos, trabalhados e o lixo vira objeto de luxo. Por isso é UP, porque agrega valor ao já conhecido processo de reciclagem. Fazer papel é coisa do passado, baby.

O poeta Augusto de Campos, um dos criadores da Poesia Concreta, sintetizou o "luxo" em um poema chamado "lixo" (ou vice-versa):

Será que transformar o lixo em objetos desejados e caros, é uma forma de criticar o luxo?
Fonte: Porta do vento



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